DOM WELLINGTON DE QUEIROZ VIEIRA FALA SOBRE SÍNODO PAN AMAZÔNICO

Santo Padre
Prezados irmãos e irmãs

Mesmo considerando todas as especificidades da Região Amazônica, com o seu bioma, cultura, povos, limitações, não podemos ignorar que os desafios que envolvem a realidade dos ministérios ordenados são de toda a Igreja. Hoje temos presbíteros aquém do necessário em várias partes do mundo. Na Europa, rápida dedução do número de presbíteros. Então, o nosso diálogo de hoje, ainda que específico para a realidade amazônica, tem interesse e alcance universais.
O problema nosso não é o celibato que, sim, realmente impede alguns de se tornarem padres, mas sim, o como temos vivido a vocação pessoal. A incoerência, a infidelidade, os escândalos, a falta de santidade que impede que o chamado de Deus encontre terra fértil nos corações das pessoas com as quais convivemos. Ouvindo o clamor de nosso amado Papa Francisco, temos procurado adquirir o “cheiro das ovelhas”, mas infelizmente, nem sempre levamos às ovelhas o “perfume de Cristo” (2Cor 2, 15). Com muita facilidade somos anunciadores de nós mesmos, com comportamentos que afastam as pessoas de Jesus. Temos um “Santo Padre” em Roma, mas nem sempre padres e bispos santos em nossas Igrejas.
Nos “novos caminhos” está o Sempre Novo Jesus. Não precisamos reinventar a roda. Ao propor a flexibilização do celibato, movidos pelas melhores intenções, estamos propondo o caminho aparentemente mais fácil. Queremos mudar as regras porque nos sentimos incapazes de mudar a nós mesmos, ou pior, não percebemos necessidade de mudança em nosso modo de ser Igreja. O principal instrumento de despertar vocacional é a santidade. Tenho certeza que conseguindo eu uma vida santa, verei uma avalanche de vocações sacerdotais na igreja particular a mim confiada. Muitos jovens estão perdidos, procurando valores nos quais se apoiar, sedentos de bons exemplos, sedentos de santidade. Temos a obrigação de oferecer esses valores a eles. Refiro-me à santidade da simplicidade, da abertura ao diálogo, do respeito às diferenças, do inquebrantável anúncio da esperança, da capacidade de se compadecer da dor dos que sofrem, da inegociável decisão de amar; a santidade comprometida com as transformações sociais sem perder referência ao transcendente. Será que Jesus perdeu o poder de atração? Ou nós estamos sendo obstáculo?
Temos também a má distribuição territorial dos presbíteros. Formamos presbíteros, diocesanos e religiosos, sem espírito missionário. Muitos buscam comodidade, conforto, “boa vida”, vida longe das periferias, vantagens financeiras, buscam a “boa paróquia”, buscam ascender na hierarquia católica. São presbíteros que não entenderam o que é ser discípulo missionário de Jesus. Esse tipo de presbíteros seria melhor não os ter.
Temos que definir novos caminhos para a formação dos presbíteros. Desde o trabalho para o despertar vocacional, passando pelos seminários e avançando na formação permanente; temos a obrigação evangélica de insistir no espírito missionário, na opção fundamental de doar a própria vida. A Amazônia brasileira tem sido evangelizada por missionários europeus, norte-americanos, que deixaram seu mundo e doaram, e doam, a vida em nossas terras. Entretanto, hoje temos dificuldade que presbíteros do Sul do Brasil façam missão no Norte, argumentando não ter capacidade de adaptar-se aos desafios ou que a realidade cultural é muito diferente. Santo Padre, irmãos, irmãs, meu Deus, onde foi que nos perdemos!?
Que o espírito nos ilumine hoje e sempre.

Dom Wellington de Queiroz Vieira Bispo Diocesano de Cristalândia -TO Brasil
Vaticano, 08 out 2019
REF: INSTRUMENTUM LABORIS N. 129

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